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    November 28

    Serei

    Serei para ti
    Esse vento
    Essas chuva
    A pausa que perdura
    No espaço de uma luta.
    November 25

    Livro

    Abrir um livro
    Partir numa descoberta
    Nas muitas estradas
    Que percorre a pena.
    Perder-me de mim
    Da  vida...
    Esquecer-me de tudo
    Nesse vale de palavras loucas
    Onde tudo é possível..
    Deixar-me fluir livre
    Nesse rio de emoções
    Que me completam
    O ser!
    November 23

    Palhaço

    Palhaço

    Sobe, desce.

    Dá uma cambalhota, rebola.

    Cai ao chão e dá um trambolhão.

    Palhaço

    Sempre com um sorriso.

    Pronto a dar a mão.

    Alerta, se alguém está triste.

    Palhaço

    Faz o salto do trampolim.

    Pula como um canguru.

    Parece feito de borracha.

    Rebola, salta, sorri

    Mesmo quando está triste

    Não deixa de sorrir

    As suas lágrimas não aparecem

    Ficam lá dentro

    Trancadas

    Estranguladas.

    Ah! Palhaço ser o que és não é fácil.

    Mas é bom saber que existe

    Cara alegre, quando se está triste.

     

     

    November 20

    Saudade

    Gravada em meu corpo
    Com o vento
    Veio a palavra saudade
    Presa em cada folha
    Que cai...
    Em cada gota de chuva
    Fica para sempre
    Gravada em meu corpo
    E não sai...
    Essa palavra que vive comigo
    Como se fora castigo
    Que há muito abracei
    Posso ocultá-la
    tentar mascará-la
    Mas nunca a matarei!
    November 15

    Deixa-me...

    Deixa-me olhar-te
    Enquanto dormes
    Acariciar-te com o olhar
    Dizer-te sem falar
    Que para sempre te vou amar.
    Se o amanhã não chegar
    VOu ter a certeza de guardar
    Esse amor que nutro por ti
    Que me afaga o corpo
    Quando a noite chega aqui.
    Depois de te amar
    Fechar os olhos
    Guardar a tua lembrança
    Rir contigo
    Porque me devolves a esperança
    Meu homem
    Meu amante
    Meu amigo.
    November 14

    Depois de te amar...

    Depois de te amar
    E amar
    Voar contigo
    Até á vastidão do mar...
    Abrir as asas
    Subir,subir...
    Sermos duas estrelas
    No céu, a luzir!
    November 12

    Sozinha na noite

    Sozinha na noite

     

    Era pequena, uma pirralha, tinha apenas 4 anos e estávamos em plena época de natal. Lembro-me distintamente que havia passado o dia em casa do meu primo Zé, jantei lá e tudo!

    Após o jantar e como sempre fazia, o meu tio levou-nos a casa mas, como nessa noite o mercado iria estar aberto, fomos até lá; era relativamente perto de casa e o meu tio foi embora porque depois íamos a pé.

    Uma atmosfera especial contagiou-me, um mercado a abarrotar de gente como eu nunca tinha visto: cheiros, cores, burburinho… Os meus pais avisaram-me logo para não lhes largar a mão se não me queria perder. Como eu é claro… agarrei ainda com mais força a mão da minha mãe!

    Nem sei bem como aconteceu… a dada altura, o meu pai deixou-nos para ir a casa buscar os guarda-chuvas porque começou a pingar…

    A minha mãe ficou comigo no mercado, porque ainda queria comprar uma ou duas coisas.

    Era perto da meia-noite!

    Lembro-me de estar de mão dada com ela enquanto comprava qualquer coisa porém, enquanto pagava, larguei-lhe a mão para ver algo…

    Quando voltei a olhar, já não vi a minha mãe… tinha desaparecido de todo ou então eu fui andando com a multidão e não dei por ela. Não sei!

    Sei que me vi sozinha no meio de tanta gente (e se isso é assustador…!). Num 1º momento entrei em pânico (o coração quase me saía pela boca!), mas resolvi que chorar não ia dar em nada… Então, como não encontrei um policia para pedir ajuda, saí do mercado, meti pela Rua Ornelas acima até ao Campo da Barca e Rua Nova do Campo da Barca lá vai ela noite adentro, numa estrada ainda em construção e sem luz; a estrada do outro lado tinha luz mas por incrível que pareça eu não gostava dela… metia-me medo!

    Acho que não andei… devo ter corrido o caminho todo com o coração nas mãos, com medo que alguém me surgisse ao caminho e me fizesse mal.

    Quando finalmente cheguei a casa, o meu pai vinha a sair com os guarda-chuvas (já tinha começado a chover!).

    Ficámos parados a olhar um para o outro:

    - Que fazes aqui? E a tua mãe?

    - Não sei, deixei de ver a mãe e vim para casa!

    O meu pai apenas me mandou para a cama e disse que nem me atrevesse a sair de lá, que depois haveríamos de conversar! Até hoje!

    Não me lembro sequer de eles terem chegado a casa pois, estava tão cansada que adormeci logo!

    A partir desse dia ganhei uma alcunha na família: a mulher sem medo; o que não corresponde à realidade pois, tive um medo de morrer, mas continuo a achar que foi uma aventura e tanto!  

     

     

     

    November 09

    Sobre a amizade

    Sobre a amizade

     

    Isto de ser amigo de alguém a sério, tem muito que se lhe diga.

    Ser amigo pode ser uma de muitas armadilhas do destino, pelo menos para aqueles que são amigos a valer!

    Lembrei-me de falar nisto depois de uma conversa que tive há tempos atrás, numa mesa de café, com alguém que considero um amigo de verdade, daqueles sinceros sem interesses dissimulados e que não se importam de mostrar o seu ponto de vista, mesmo que não o partilhemos!

    Sim… porque amigos há-os para todas as ocasiões:

    - Os amigos da “copofonia” – aqueles que duram enquanto dura a “bezana”!

    - Os amigos dos jantares – enquanto se come de graça, “tá--se bem”!

    - Os amigos do dinheiro – enquanto tiveres “guito”, és o maior!

    Existem miríades de amigos, um para cada ocasião: os amigos da gargalhada, do alheio (estes serão mais inimigos…!), da ocasião (também não serão os melhores!), da onça (ufa! ufa!)... Enfim!... Amigos para todos os gostos e feitios!

    No fim, e depois de bem vistas as coisas… ficamos reduzidos a 2 ou 3 amigos… esses sim – dos verdadeiros!

    Daqueles com quem se pode contar para tudo e que tudo farão para tornar melhores os nossos dias, quaisquer que sejam… quer chova ou faça sol!

    Um amigo é um tesouro que se deve ter o cuidado de manter e guardar! Para cimentar uma amizade é preciso mimá-la, fortalecê-la e prestar-lhe atenção todos os momentos da nossa vida.

    Ser amigo é saber dar espaço e deixar que aqueles que consideramos amigos nos ponham de parte quando tiverem vontade de o fazer e que se aproximem quando sentirem necessidade disso.

    Ser amigo verdadeiro obriga-nos a adiar a nossa vida pessoal porque frequentemente os amigos nos exigem toda a nossa atenção e carinho.

    Quando se é amigo vive-se a loucura contagiante do outro e aproveita-se ao máximo cada momento porque a vida é fugaz e devemos aproveitá-la junto daqueles que mais amamos!

    Ser amigo é amar, de forma sincera, sem pretensões ou interesses subjacentes, uma vez que o verdadeiro amigo não usa disfarces, dá-se por inteiro… tentando encher de sol e sorrisos todos quantos o cercam!

    Bem hajam os amigos!

    Nunca se esqueçam deles e não deixem para amanhã o que podem fazer agora! Peguem no telefone e falem com aquele amigo que não contactam há séculos… não adiem esse sentimento tão bonito!... Se essa amizade for daquelas de pedra e cal, verdadeira… vão ficar surpresos com a resposta do outro lado da linha, porque as palavras… também podem sorrir!

     

     

     

    November 07

    Malmequer

    Malmequer branco
    Dispo-te as  folhas uma a uma
    Ficas só tu!
     
    November 06

    Eternidade

    Eternidade
    Um momento
    Perdiod no imenso tempo
    Desse mar de te querer.
    Lado a lado caminhar
    De mão dada sentir
    Essa onda
    Esse calor
    Que nos embriaga a pele
    Cada vez que olhamos
    Com o mesmo ver
    A ternura do verbo Amar!