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December 30 Desejo de Natal IIO Natal devia ser:
A alegria na voz de uma criança
Um sorriso aberto num rosto cansado
Uma mão estendida para outra.
O Natal devia ser:
Uma lágrima enxuta com uma palavra de carinho
Uma felicidade que se vê numa palavra
um pranto que se dilui devagarinho.
O Natal devia ser:
A tristeza espantada da alma
O recolhimento que leva á razão
A paz que tudo cobre e acalma.
O Natal devia ser
Dos olhos a ausência da guerra
Nas mãos ferramentas de paz
As searas brotando e cobrindo a Terra.
O Natal devia ser:
A esperança de um manhã por vir
Uma chama que se acende
Um Menino que nasce e a todos faz sorrir! December 16 Desejo de NatalQueriamuito
Que nesta noite tão especial
Ainda antes de alguém
Abrir o primeiro presente
Acendessem uma luzinha mágica
No vosso coração.
Para que nesta noite
A Fé,
A Alegria
E a Esperança
Brilhassem mais alto!
Para vos oferecer...
Nao tenho nada!
Mas se eu pudesse...
Embrulhava o Carinho,
Punha uma fita na Felicidade,
Enfeitava de Sol o Amanhã
E enchia a Vida de estrelas!
Na minha árvote de Natal
Brilhariam as luzes da Fantasia,
As fitas seriam a Liberdade,
E a estrelinha lá do alto...
Um novo Amanhã!
No presépio estaria a Família
A minha...
A tua....
A de todos nós!
E finalmente haveria paz
Em toda a Terra
Em todos os Corações
Por que um Menino tinha nascido! December 11 Teus olhosTeus olhos ofendem Porque são belos Mas não deixam de ver A verdade crua e fria Da realidade! Teus olhos riem Prometem um oásis Nesta vida sensaborona Que nos tolhe a vontade E nos priva de verdade De qualquer real Demonstração de amor! Teus olhos sonham Criam atmosferas Belas quimeras Que fazem andar em frente Essa pobre gente Que se arrasta Na solidão Dos passeios frios… Impessoais…! Que quase apagam O grito de uma seara a nascer O murmúrio do regato A voz do vento Que assobia livre… Sem dono… Por entre os canaviais! Vento
Vento Profusão de sensações Numa qualquer rua Num qualquer monte. Trazes contigo Sons… Sabores… Murmúrios De preces Que já conheço de cor! December 09 A cultura do graffiti
Enche-nos cada vez mais a retina este movimento que foi importado da América, mais concretamente de N.Y. (não foi directamente da Tailândia!) e que empresta um colorido muito “sui generis” a tudo quanto é parede, transporte público, cabine telefónica, paragem de autocarro…, tudo aquilo que a imaginação possa ditar para servir de suporte que permita expressar tudo o que os “writers” têm na sua mente. Alguns destes “graffitis” são autênticas obras de arte, feitas a coberto da noite sempre com o medo do polícia que chega de repente, a pairar no ar. Logo eu que não sou nada dada a pinturas (o jeito é nulo!) ponho-me a apreciar… e como tenho filhos adolescentes já fiquei a saber que o que não gosto mesmo nada dá pelo nome de “tags” (aquelas linhas pretas, semelhantes a assinaturas do tipo:”o não sei das quantas” esteve aqui! e é vê-los espalhados em tudo quanto é sítio. Existem paredes legalizadas onde sem correrem o risco de serem “canados” os writers podem dar livre curso à sua veia artística, seja dia ou noite. Formam-se então “crews” onde cada qual junta o seu melhor para o trabalho final, são… se não me engano as “walls of fame”. Os “bombings” são vistosos, gosto de ver mas como em alguns a letra já foi tão adulterada não percebo o que querem dizer (azar o meu, não é?!?). Estes segundo me disseram, são feitos a correr o que não quer dizer que previamente não tenham sido estudados ao pormenor, na quietude de um quarto, num caderno de modo a poder ser visualizado o efeito final. Regra geral, são feitos em paredes não legalizadas, daí a pressa! Agora a nova moda dentro do graffiti é o “sticker”, pequenos quadrados de papel feitos em computador que depois são colados algures por aí… se calhar já nos deparámos com um ou outro nalgum autocarro ou comboio. E deixem-me dizer uma coisa, ser writer deve sair caro: “cans”, trinchas, stencil (nalguns casos!), baldes… e depois é só deixar que a tinta liberte a imaginação e os sentimentos. Diga-se em abono da verdade, que em certos lugares, se não fosse pelo graffiti, as paredes já tinham sido riscadas do mapa e já que, o Estado não possui dinheiro para restaurar a pintura de tudo quanto seja muro ou parede, então meus caros… deixem em paz os “writers”! Agora meus amigos do “underground” sejam criativos, dinâmicos, críticos sagazes e tratem de embelezar com a vossa irreverência os nossos dias por vezes tão cinzentos.
December 06 É NatalÉ Natal....
Mas no meu coração
A alegria não encontra o caminho!
É Natal....
Mas não o consigo ver espelhado
Nas faces das crianças!
O Natal deixou de ser Natal...
Quando ao seu irmão
Os homens viraram as costas...
Quando deixámos de ter tempo
Para apreciar a muda beleza de uma flor
Quando a música deixou de nos enfeitiçar...
E há-de voltar a ser Natal
Quando substituirmos as compras por carinhos
E a riqueza por beijos e abraços
Dados com o coração!
December 03 LaribauDeserto. Calor ardente no Verão. Frio rigoroso no Inverno que bate em corpos já em tudo acostumados ao ritmo das estações. Aldeia inóspita, perdida nas fragas dos montes transmontanos, austeros guardiães de mentes e de gentes. Ai conheci Laribau, um “cigano” de além-mar, vindo do Brasil que botou raízes num baixo de uma casa velha e carcomida já a pedir restauro; onde o frio do Inverno e o calor do Verão apareciam sem serem convidados, através das frinchas de uma porta gasta pelo tempo e pelo caruncho. Para uns, um louco, um mísero que vivia da generosidade de cada um e que carregava sempre com ele os seus fracos pertences. Para mim, um homem com alma de poeta que via o mundo com outras cores; que se havia desligado há muito deste “mundinho” onde corremos desenfreadamente de um lado para outro em busca de trabalho, dinheiro, apreço e que quando acabamos o dia chegamos a casa cansados, derreados mas a corrida continua… fazer jantar, lavar a loiça, deitar os filhos, dormir para no dia seguinte acordar às seis da manhã para recomeçar tudo de novo, num vaivém interminável. Dizia eu que o Laribau tinha nos olhos a luz de quem está bem consigo próprio mas acho que só encontrava descanso ao deambular de um lado para outro, sempre a pé, de bordão e sobretudo, qualquer fosse o tempo que fizesse. Nunca lhe soube o verdadeiro nome, acho que ninguém o sabia e se algum dia o souberam, perderam-no numa das muitas ruas e ruelas que percorrem a aldeia… se calhar tinham medo de o pronunciar pois, acho que apesar dos chistes e das piadas, as gentes por aqui temiam a liberdade que ele possuía… Aparecia sempre sem avisar, perto da hora das refeições, sempre munido da sua colher: -Oh, Sr.ª Odete, não tem ai tantita sopa que me bote numa malga e já agora um naco de pão? – dizia com um sorriso entre o malandro e o envergonhado. Um dia numa casa, outro noutra e, assim de casa em casa ia mata bichando aqui, almoçando ali, jantando acolá. Católico ferrenho, nunca falhava à missa de domingo… quando tal não acontecia era porque andava nas suas voltas, peregrinações a Fátima, a Lourdes ou a Santiago, ou a festas religiosas que abundam nesta região. Quando por vezes já se temia que tivesse morrido, lá surgia ele na curva da estrada, sentado aos pés do castanheiro centenário, fumando deliciado o cigarro que havia cravado ao Ti João Xarabaneco. Era um contador de histórias nato e, dava gosto ouvi-lo nas tardes de Verão quando o dia estava já a despedir-se e a brisa soprava suave e tranquila como carícia feita por mão invisível. Sabia falar de tudo e embora não partilhasse sempre das suas ideias, admirava-lhe a capacidade de ser diferente num mundo onde todos são o mais igual possível e onde quem não obedece à norma é doido varrido… Num Inverno áspero em que o frio foi mais frio faltou Laribau à missa e, como tinha sido visto a entrar para a sua “casa” durante a noite, as gentes estranharam… falaram ao pároco que no acto tratou de sossegar as almas mais inquietas… Foram dar com ele inerte, já sem vida no chão daquele quarto onde à noite se abrigava da chuva e da geada. Na aldeia que cada vez mais se torna um deserto, mercê da imigração em busca de novos horizontes e de outras oportunidades de vida; Laribau é agora uma simples placa no cemitério, mas a recordação daquele homem simples que soubera semear nos olhos das gentes a fantasia, vai para sempre perdurar nas almas daquelas gentes simples, que têm como preocupação máxima o recolher das galinhas à noite para evitar os ataques da raposa, deixando entrever num sorriso quando olharem as estrelas um pouco da magia que ele possuía e que tão bem sabia partilhar. |
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