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April 23 LirioApril 19 Acerca dos jovensA juventude já não é o que era!
“Pudera”… pensei eu! Com tantas solicitações e com o modo de vida que hoje temos… não é para admirar que os jovens, cada vez mais, cresçam sozinhos, entregues a eles próprios educando-se entre si! Não é fácil manter um diálogo depois de 10 horas fora de casa, horas perdidas e sem fim em bichas intermináveis e em transportes demoníacos… Podemos ainda acrescentar o stress de aturar o patrão ou aquele chefe chato que faz questão de nos moer, “bem moídinha”, a paciência. Não é fácil, dizia eu, chegar a casa e começar logo com a “lufa-lufa” de preparar o jantar, apanhar a roupa, dar banho ao filho mais novo, espalhar os olhos pela televisão entre uma garfada e outra; depois são os dentes para lavar, a loiça para pôr na máquina, a hora de deitar que tem de ser esgrimida pois há sempre aquele amigo da net que está em linha e não dá para adiar o resto da conversa. E, de repente, surpresa… estala o conflito de gerações… isto porque, quer queiramos quer não, a vida é cada vez mais frenética, joga-se ao ritmo acelerado das notícias e da rede mundial; cada vez mais o mundo é uma aldeia ao alcance de um clic: o tempo continua igual (1 hora ainda tem 60 minutos!) mas a catadupa de informação que nos cerca e nos afoga quase asfixiando as nossas emoções, o diálogo, a compreensão é imensa, diria mesmo gigantesca! A família, aquela de há 20 anos atrás, é quase uma instituição em vias de extinção: deixou de existir a família alargada (avós, pais, tios, primos…); agora a família é mono parental, com a crescente taxa de divórcios os filhos vêem-se reduzidos a um dos progenitores. Atenção: não sou contra o divórcio pois é sempre preferível estar feliz sozinho do que ser infeliz e fazer infelizes os outros! E filhos adolescentes… meus caros… dor de cabeça mais que certa porque tentam, experimentam de toda a maneira e feitio pisar o risco.
April 06 Silêncio...April 05 contra a censura...April 01 Da cidadeDa cidade
De manhã, logo de manhãzinha, com o nevoeiro a desaparecer atrás dos primeiros raios de sol; já vem a sair do café o Chico… com uma “bejeca” no bucho ou uma “amarguinha”… que o emprego não o satisfaz e o chefe não é “pêra-doce"! Assim… animado por um gole de álcool sempre vai mais alegre para o trabalho! E esquece os desaires do dia que ainda está para chegar na fumaça de um cigarro comprado religiosamente na máquina e que, traga avidamente pois é o primeiro do dia! Numa estação esperando o comboio que nunca chega a horas, aguarda com os outros o transporte que aproveita para dar um descanso ás pestanas, mesmo porque a noite anterior houve jogo e o convívio no café foi até ás tantas! São todos ovelhas de um mesmo rebanho: correm para um emprego que há muito deixou de ser aliciante! E já só dá para ganha-pão e para amealhar para umas férias no sul de Espanha ou no Algarve que os tempos são de crise e uma pessoa não se pode esticar muito! Ainda mais com o empréstimo da casa, do carro e o casamento da filha mais velha…! Que os bancos não esperam nem conhecem ninguém! O tempo até pode melhorar mas, o Chico, com o pensamento tão ocupado não dá por ela e, dentro da fábrica há sempre o sol de luzes florescentes… que o patrão não é parvo e quer que os empregados vejam bem e não deixem passar defeito nenhum na linha de montagem! E eu… sou daquelas que calada tudo observa e vê…com olhos de ver… nos rostos anónimos, o desejo escondido de quem quer partir… rumo à Ilusão!
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