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    May 31

    Tempos modernos

    Meus amigos, a vida está  difícil....mas daí a complicarem ainda mais....
    Poupem-me , que sou pobre e gasto-me depressa.
    Então não é que agora além dos aumentos d combustíveis, de bens essenciais, de passsses sociais,e tudo mais o que nos leva a deitar as mãos á cabeça e a soltar uns angustiados ais...
    Agora além do preço  do  bilhete de metro,também temos de levar com os custos de um cartão por utilizar este transporte público?
    Sim,o cartão é reutilizável, mas tenho de ser eu a pagar?
    Já não o faço quando pago os meus impostos?
    Modernices...preço da evolução!
    Mas pelo andar da carruagem,das carruagens(ehehehehe),cuidem-se...ainda vamos voltar  ao Paleolitico,não se angustiem...só vamos usar tanga!
    Dias felizes

    Pensar no verdadeiro sentido do amor...

    Aos casados há muito tempo
    aos que não casaram, aos que vão casar,
    aos que acabaram de casar,
    aos que pensam em se separar,
    ...aos que acabaram de se separar,
    aos que pensam em voltar...

    Por mais que o poder e o dinheiro tenham conquistado
    uma ótima posição no ranking das virtudes,
    o amor ainda lidera com folga.
    Tudo o que todos querem é amar.
    Encontrar alguém que faça bater forte o coração
    e justifique loucuras.
    Que nos faça entrar em transe, cair de quatro,
    babar na gravata.
    Que nos faça revirar os olhos, rir à toa,
    cantarolar dentro de um ônibus lotado.
    Tem algum médico aí???
    Depois que acaba esta paixão retumbante,
    sobra o que?

    O amor.
    Mas não o amor mistificado,
    que muitos julgam ter o poder de fazer levitar.
    O que sobra é o amor que todos conhecemos,
    o sentimento que temos por mãe, pai, irmão, filho.
    É tudo o mesmo amor, só que entre amantes existe sexo.
    Não existem vários tipos de amor,
    assim como não existem três tipos de saudades,
    quatro de ódio, seis espécies de inveja.
    O amor é único, como qualquer sentimento,
    seja ele destinado a familiares, ao cônjuge ou a Deus.

    A diferença é que, como entre marido
    e mulher não há laços de sangue,
    a sedução tem que ser ininterrupta.
    Por não haver nenhuma garantia de durabilidade,
    qualquer alteração no tom de voz nos fragiliza,
    e de cobrança em cobrança acabamos por sepultar
    uma relação que poderia ser eterna.
    Casaram. Te amo prá lá, te amo prá cá.
    Lindo, mas insustentável.
    O sucesso de um casamento
    exige mais do que declarações românticas.
    Entre duas pessoas que resolvem dividir o mesmo teto,
    tem que haver muito mais do que amor,
    e às vezes nem necessita de um amor tão intenso.
    É preciso que haja, antes de mais nada, respeito.
    Agressões zero. Disposição para ouvir argumentos alheios.
    Alguma paciência... Amor, só, não basta.

    Não pode haver competição. Nem comparações.
    Tem que ter jogo de cintura para acatar regras
    que não foram previamente combinadas.
    Tem que haver bom humor para enfrentar imprevistos,
    acessos de carência, infantilidades.
    Tem que saber levar. Amar, só, é pouco.

    Tem que haver inteligência.
    Um cérebro programado para enfrentar tensões pré-menstruais,
    rejeições, demissões inesperadas, contas pra pagar.
    Tem que ter disciplina para educar filhos,
    dar exemplo, não gritar. Tem que ter um bom psiquiatra.
    Não adianta, apenas, amar.
    Entre casais que se unem visando à longevidade do matrimônio
    tem que haver um pouco de silêncio, amigos de infância,
    vida própria, um tempo pra cada um. Tem que haver confiança.
    Uma certa camaradagem, às vezes fingir que não viu,
    fazer de conta que não escutou.
    É preciso entender que união não significa,
    necessariamente, fusão.
    E que amar, 'solamente', não basta.

    Entre homens e mulheres que acham que o amor é só poesia,
    falta discernimento, pé no chão, racionalidade.
    Tem que saber que o amor pode ser bom, pode durar para sempre,
    mas que sozinho não dá conta do recado.
    O amor é grande mas não é dois.
    É preciso convocar uma turma de sentimentos
    para amparar esse amor que carrega o ônus da onipotência.
    O amor até pode nos bastar, mas ele próprio não se basta.

    Um bom amor aos que já têm!
    Um bom encontro aos que procuram!
    E felicidades a todos nós.

     

     

    May 25

    A fira dos sabores e saberes

    Está  aí mais uma edição ,a 3ª ,da feira dos sabors e saberes.
    Bom domingo!
    May 09

    Memórias no horizonte

                                              

     

    Ficou já perdida, numa ilha que emerge no meio de um oceano transparente a memória do que fui na minha infância.

    Miúda rabina, levada da breca, sempre só, que foi essa a minha sina pois, filha única fui e, já não tenho as raízes que me fizeram brotar.

    Era só mas, era feliz! E de quando em vez contava com a presença apreciada de uns primos da minha idade com quem ia “altear joeiras”( que aqui é lançar papagaios) e corria ribeiras à procura de ervas para os coelhos do meu tio e ia  de vez em quando, com autorização claro está, queimar o lixo no poio em frente.

    Por todas essas razoes era uma Maria Rapaz mas, também gostava de receber as minhas bonecas pelo Natal e aniversário! Sim, porque na minha meninice o dinheiro era escasso mas eu era fácil de contentar e não tinha por hábito pedir a lua. Exigente era no que diz respeito a livros…lia muito e ainda hoje gosto de o fazer. E os meus pais conforme podiam iam-me arranjando dinheiro para comprar um livrito aqui e ali e que ainda resistem agora já nas mãos dos meus filhos. Tinha a profunda sorte de ter uma tia que possuía uma biblioteca imensa e eu perdia-me dias seguidos metida entre quatro paredes, esquecendo o mundo que existia para além das folhas que lia, sentada no chão sonhando com outras paragens… só despertando desse transe quando insistentemente me chamavam para lanchar!

    Era uma existência pacata, sem grandes surpresas… se calhar é por isso que me assusto cada vez que o destino insiste em surpreender-me agradavelmente com acontecimentos que demoro a assimilar pois, acho-me indigna deles!

    Depois… havia a magia dos domingos…

    Os domingos da minha meninice, quando religiosamente ia ao cinema com os meus pais ver o último filme de cowboys ou de artes marciais… depois voltava à rua para passear na Av. do Mar ou no jardim municipal para ver os cisnes; fazendo tempo para a hora da missa. Não uma missa qualquer, sensaborona… mas, daquelas que fazem vibrar a alma de alegria de se estar vivo com a música sobrepondo-se ao papaguear lento das beatas.

    Ah! Que saudades desse tempo que não volta!

    O Verão era o tempo mágico em que íamos passear com o tio José, desenhador de uma fábrica de bordados e que com a facilidade de quem respira fazia desenhos que jamais esquecerei.

    À sexta-feira é que era bom; a minha tia Rosário deixava sempre dinheiro para que eu e o meu primo Zé fossemos de táxi até ao Funchal lanchar… e eu sentia-me já tão grande no alto dos meus dez anos a ir lanchar fora com o meu primo favorito que na altura tinha catorze anos!
    O quintal da casa do meu tio José era mágico… enorme com lugar para tudo! Árvores de fruto, jardim a perder de vista com um tanque para as tartarugas, capoeira, viveiro de periquitos de todas as cores, vinha, caramanchão… junto à palmeira fazíamos o nosso palco de apresentação de espectáculos de circo para a família (era preciso pagar entrada para ver). Perto da anoneira, com um tronco robusto tínhamos a nossa cabana onde podíamos lanchar, ler ou até fazer uma sesta embalados pelo canto dos pássaros empoleirados nas árvores.

    Agora a casa já não existe… veio abaixo para se poder construir um daqueles bairros cheio de prédios onde as pessoas vivem encaixotadas em paredes sem história nem magia…onde ninguém conhece o nome do vizinho do lado… é o preço do progresso!

    Mas a memória…essa memória que trago bem presente comigo, escrita em mim, fazendo-me sorrir quando me faltam as forças e me sinto sozinha no meio de tudo; essa… ninguém vai conseguir apagar!

     

    Cathy 18-2-2004